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sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Kafka - Metamorfose



Resenha escrita para a matéria Leituras de Ficção sobre o livro Metamorfose, de Franz Kafka, em Outubro de 2007.

A obra retrata a mudança abrupta na vida de Gregor, um caixeiro viajante, que acorda transformado em inseto. A partir desse acontecimento, o curso de sua história não será o mesmo, já que é preciso se adaptar a sua nova forma de levar a vida, que inclui o novo formato de seu corpo, as suas novas necessidades alimentares, seus novos movimentos, vontades, enfim, não mais como o aparente responsável pelo sustento da casa.

Porém, nem seu chefe, nem sua família se mostram dispostos a ajudá-lo para que mesmo como inseto, Gregor pudesse continuar incorporado à sociedade; apenas algum cuidado é esboçado por sua irmã em relação a ele, mas que com o passar do tempo, tem esse sentimento transformado em desprezo e aversão.

Os membros de sua família se mostram muito conformados com a situação, e entre eles o comportamento que se destaca é o do pai de Gregor, que se mostra mais indignado e não tenta uma aproximação com o filho, ao contrário, o acusa de ser o problema e o incomôdo na vida deles.

Quanto a esse retrato do pai, é importante considerarmos que essa caracterização, como alguém tão imponente e indisposto a ajudá-lo, tão desprovido de um mínimo de sentimento de compaixão, provavelmente é a personificação do relacionamento do próprio autor com seu pai.

Como podemos perceber em outras obras, em que o autor parece personificá-lo também e utiliza-se de frases como: “Eu só poderia viver naquelas áreas não cobertas por você ou fora de seu alcance. Mas, considerando minha idéia de sua magnitude, não restam muitos lugares”, esse relacionamento tão distante marcou Kafka profundamente.

Fernando Sabino


Elaborado para a matéria Processos Jornalísticos em Junho de 2007.

Perfil de Fernando Sabino

Desde menino a literatura despertava seu interesse, suas crônicas e concursos de gramáticas lhe rendiam premiações, mineiro, nascido em 1923, e caracterizado por muitos, como leitor compulsivo, não é de surpreender que Fernando Tavares Sabino se tornasse um dos maiores e mais conhecidos cronistas do Brasil.

Experiências como escoteiro e locutor de programa infantil, fizeram parte de sua vida até que seu primeiro conto policial foi publicado na revista “Argus”, e fez com que seu futuro fosse decidido: ser gramático. Ainda na adolescência, quando ajudou a fundar o jornalzinho “A Inúbia”, começou a colaborar com artigos, crônicas e contos nas revistas “Alterosas” e “Belo Horizonte”.
Desde então colaborações se tornaram freqüentes, e suas publicações passaram a ser vinculadas em jornais e em revistas brasileiras, como em “O Diário”, “Senhor”, “O Globo”, “Diário Carioca” e “O Jornal”. Graças a elas conheceu Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e Hélio Pellegrino, que deu origem a um grupo de amigos eternos. Apesar da formação universitária em direito, sua carreira profissional foi de jornalista, em que iniciou como redator da “Folha de Minas”.

Depois mudou para Nova York, e mesmo lá suas publicações brasileiras não cessaram, já que suas crônicas eram enviadas para o país, que ao retornar lhe garantiram espaço semanal no Suplemento Literário. Experiências políticas também não faltaram, primeiramente na campanha política de Juarez Távora e posteriormente em 1964 durante o governo de João Goulart, em que foi contratado como Adido Cultural na Embaixada do Brasil em Londres.

Sabino aproveitou sua vida para conhecer diversas culturas, já que sempre viajou muito, principalmente para a Europa, mas países como Argélia, Singapura, Hong Kong, Cuba e Oriente Médio também fizeram parte de suas vivências no exterior, e um de seus maiores sucessos literários, “O Grande Mentecapto”, deve sua conclusão a elas.

Após alguns anos como dono da Editora Sabiá, resolve vendê-la e fundar, com David Neves a produtora Bem-Te-Vi Filmes, que resulta em mini-documentários sobre Hollywood transmitidos pela TV Globo. Muitas de suas obras também são transformadas em produções cinematográficas, como “O Homem Nu” ou em adaptações teatrais, como a obra “O Encontro Marcado”.

As premiações que começaram na infância o acompanharam durante toda sua carreira, prêmios como Golfinho de Ouro na categoria Literatura, Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra e Cinaglia do Pen Club pela publicação de “A Mulher do Vizinho” foram apenas alguns deles, além de “O Grande Mentecapto”, que lhe resultou no prêmio Jabuti e sua adaptação no cinema ter sido premiada no Festival Internacional de Gramado.

Porém a partir de outubro de 2004 suas obras não puderam mais ser escritas, ao som do jazz da banda que era baterista, Ramblers Traditional Jazz Band, Sabino é enterrado, a seu pedido, sob a frase “Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino”, um dia antes de completar 81 anos.

Um grito de Liberdade

Análise do filme Um grito de Liberdade, para a matéria História Contemporânea, em Setembro de 2007.

Sinopse Narrativa:

Retratando a vida do ativista negro Steve Biko, o filme é baseado na experiência real do jornalista Ronald Woods, que o conhece e se interessa pela forma como vivem os negros durante o período de Apartheid na África. Essa vivência resultará em um livro, que também embasou o filme, mas que para ser publicado colocou em risco a vida do jornalista e de sua família.

Contexto de Produção do Filme:

Filmado pelo premiado e experiente diretor inglês Richard Attemborough, o filme foi indicado a três Oscars (melhor ator coadjuvante, melhor canção original e melhor trilha sonora original), mas só recebeu alguns prêmios menores, como Prêmio da Paz - Menção Honrosa do Festival de Berlim e Political Film Society, em 1989 na categoria Direitos Humanos. Também recebeu indicações ao Globo de Ouro, Grammy e Bafta.

Desenvolvimento da narrativa:

Steve Biko era um ativista negro que vivia em um gueto na Província do Cabo. Na década de 70, era motivo de preocupação das autoridades, já que mesmo banido procurava sempre alguma forma de se encontrar com sua comunidade.

Sendo considerado a única esperança de salvar a África do Sul, pelos seus discursos e idéias defendidas, sempre a favor dos direitos e oportunidades dos negros, que não deveriam se submeter à dominação branca, frente essas comunidades, Biko era alvo da imprensa, que considerava sua atitude responsável pelo aumento do ódio racial no país, o que distanciaria a comunidade negra dos brancos.

O editor Donald Woods era um dos que adotavam esse ponto de vista em suas publicações, até ser instigado a conhecer pessoalmente o ativista, e se surpreender com o contraste de sua vida e a dos negros, que viviam em assentamentos, sem oportunidades de estudo e trabalho, e sofrendo a discriminação do mundo branco, essa experiência resulta em uma verdadeira amizade entre Biko e Woods, que passa a mudar suas publicações.

Quando uma das tentativas do ativista, de sair do espaço permitido por seu banimento, falha, ele é encontrado e preso pela polícia, que o submete a torturas durante um mês, até que isso o leva a morte, porém o que se revela como causa, é apenas uma greve de fome.

A partir de então o foco do filme volta-se para o jornalista, que pretende publicar um livro sobre o período que vivenciou, ressaltando a imagem de Biko, e divulgando a verdade sobre os acontecimentos, distorcida pela imprensa. Mas tamanha dedicação à causa negra coloca em risco a vida de sua família, que começa a ser ameaçada pelas autoridades, e o leva a decidir sair do país. Mas como também foi banido pelo governo, sair de sua casa tornou-se um problema, que com a ajuda dos seguidores de Biko torna-se, apesar de arriscado, mais fácil de resolver.

É evidente o contexto histórico do filme, já que o protagonista é um ativista negro, que luta contra a lei Constitucional que oficializou a segregação racial entre brancos e negros, que ficou conhecida como apartheid. Um período em que a minoria branca existente na África do Sul impõe seu poder aos inúmeros grupos sociais compostos pela população negra nativa.

Durante a convivência dos amigos, a forma de destruição da cultura negra, para que a superioridade de uma classe social composta por brancos seja imposta e se mantenha um regime com base na discriminação racial, também é mostrada. Assim como as dificuldades para um negro vencer na vida acadêmica diante das cotas impostas, que resultam em um quadro em que poucos tenham oportunidades de emprego.

Formas de tratamento como fêmea Banthu, inúmeras abordagens e revistas feitas pelos policiais aos negros, restrições impostas, como o banimento do direito de ir e vir, eram as formas encontradas pelos brancos para impor sua soberania, e tentar de alguma forma controlar os possíveis movimentos reacionários.

Diante da exposição desses acontecimentos da época, percebemos que o diretor, não opta pelo panorama das autoridades, e sim defende as causas negras, as apresentando como principais.

Comentário pessoal:

As inúmeras cenas de ação, presentes principalmente na segunda parte do filme, já que este pode ser dividido em drama antes e ação depois da morte de Biko, torna a história interessante, e nada cansativa, já que desperta curiosidade e cria expectativa para o final da saga do jornalista. Porém o filme peca ao mostrar a rápida incorporação e aceitação do jornalista pela comunidade negra diante do contexto, em que era esperado o mínimo de recusa e desconfiança por parte dos negros.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Análise de livros

Resenha do livro Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago, para a matéria Leituras de Ficção, em Outubro de 2007.

Ensaio sobre a Cegueira

Na obra de José Saramago, Ensaio sobre a cegueira, o fenômeno coletivo da cegueira nos leva a uma reflexão, já que esta está mais presente em nosso cotidiano do que imaginamos. Saramago simbolicamente, e colocando-nos diante de uma situação limite, nos revela como somos cegos em nosso dia-a-dia.
O livro nos leva a refletir sobre inúmeros aspectos, que passam imperceptíveis em nossa vida, principalmente porque percebemos como somos dependentes de nossos olhos, e como o mundo viraria um caos se realmente acontecesse a cegueira generalizada que o livro propõe.
As relações humanas também são mostradas, e é evidente no decorrer da obra como o individualismo está fortemente inserido, e muitas vezes nem nos damos conta de quão superficiais são nossas relações sociais. A preocupação com o próximo, a tolerância e compreensão são testadas e seu limite revela-se ao menor descuido.
Podemos levantar entre os inúmeros simbolismos adotados pelo autor, fundamentos que existem em nossa vida, mas que nem sabemos ao certo a justificativa de sua existência, como a religião, que representada pelos santos com os olhos vendados, mostra como estamos abandonados e que sua existência deve-se apenas a nossa criação.
Até mesmo politicamente podemos refletir quanto à evidente falta de compromisso de nossos governantes com sua população, que deveria ser uma de suas maiores preocupações.
Por outro lado algumas justificativas também são encontradas, já que entendemos, por exemplo, nossa forma de organização e manutenção da civilidade, assim como sua definição, completamente dependente da criação que recebemos, e que se mostra definitiva nas mesmas situações limites.
De maneira geral, o livro é uma grande lição de moral, já que se entendermos a cegueira como não apenas fictícia, trazendo-a para nossa realidade, podemos repensar nossas atitudes e ao menos tentar valorizar mais as pessoas com que convivemos. Mas também revela a fragilidade humana, ao questionar sua finitude diante dessa fabricação que chamamos de vida.

Análise de livros

Resenha escrita para a matéria Leituras de Ficção, em Outubro de 2007.

Revolução dos Bichos

A obra A Revolução dos Bichos, de George Orwell, exemplifica como o regime soviético foi retratado pela literatura, já que faz uma grande metáfora desse regime através de seus personagens e enredo. Se nos permitirmos uma comparação direta com os principais atores históricos que protagonizaram a Revolução Russa, teremos Stálin e Trotsky como Napoleão e Bola de Neve, respectivamente, assim como Marx, no personagem do Major e sua ideologia, representada nos Mandamentos propostos pelos animais da obra.
Voltando-nos para o livro temos, em seu enredo, o anseio dos animais em mudar o contexto social em que estão inseridos, eliminando primeiramente seu líder e com isso instituindo novas regras e propondo uma nova forma de sociedade, que seria igualitária, com mudanças nas jornadas de trabalho e priorizaria o essencial para sobrevivência dos habitantes da granja.
Com a adesão da maioria, as novas regras entraram em vigor, e aos poucos os hábitos dos que ali viviam foram mudando. Se estabelecermos paralelos políticos com a Revolução Russa, sabemos que essa mudança radical resultará em uma troca de liderança, mesmo que a anterior estivesse agradando e fazendo a granja prosperar.
Assim, temos, com um novo personagem no poder, um apelo para a força, violência e repressão que passa a predominar na granja e obrigar, os que antes trabalhavam pelo todo, a deter-se apenas aos considerados mais inteligentes e merecedores de descanso. Porém sem que essa seja realmente a imagem passada, escolhe-se um moinho e a idéia de um benefício coletivo, além da pressão imposta para que o trabalho fosse realizado.